domingo, 4 de abril de 2010

Recordações

Andei aqui a vasculhar as gavetas da minha secretária e descobri poemas, desabafos e outros textos sem sentido que escrevia quando estava no secundário. Recordando assim essa preparação para o que viria a ser a actual viagem em que me encontro, fica um poema que escrevi a 31/10/2005, chamado “Olhos”.


Nos teus olhos vejo
Um mar de coisas sem fim,
Um reflexo desfocado,
As flores de um jardim

Nos teus olhos vejo
A esperança que nunca tive
A dor que terei.
A felicidade de quem vive
No castelo de um rei.

Nos teus olhos vejo-me
A viajar. Navegar nas tuas lágrimas,
No teu coração aportar,
Como que em busca de tesouros
Que uma pirâmide possa guardar.

Procurei lá no fundo
Por uma réstia de luz.
Entrei num novo mundo,
Fiquei preso no tempo
Sem tentar fugir,
A saborear o momento.

Agora nos meus olhos
Sinto falta dele.
Tento alcançá-lo
Mas não consigo tê-lo.

Agora nos meus olhos
Sinto lágrimas a cair
Por um instante passado,
Por algo que há de vir.

Nos meus olhos vejo
Escuridão. Um espelho partido
Vazio, um caixão.
A vida a fugir-me
Por debaixo da minha mão.

Com os teus olhos vejo
Um futuro único para nós,
O fim do desespero,
A prova de que não estamos sós.

Com os teus olhos vejo os meus.
Nos meus olhos vejo os teus.

2 comentários:

  1. "Agora nos meus olhos
    Sinto falta dele.
    Tento alcançá-lo
    Mas não consigo tê-lo"

    Pois...
    Puseste por palavras algumas coisas que eu não consigo dizer...

    Muito Bom mesmo!

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