quarta-feira, 24 de março de 2010

Vícios

Numa altura em que ando a tentar deixar para trás um vício, muitas vezes mais forte do que eu, que é o tabaco, apeteceu-me parar para reflectir um pouco sobre o mesmo.

Aos olhos de quem não fuma, não passa de um vício estúpido e prejudicial para a saúde. Não poderia estar mais de acordo. Afinal que raio de hábito é esse de entupir os pulmões com fumo, várias vezes por dia, seja a seguir ao almoço, no café, ou na noite, enquanto se saboreia uma cerveja. Porquê? Qual a razão de o fazer?

Bem, normalmente tudo começa por parvoíce, na ânsia típica da adolescência, de experimentar, de quebrar regras, de ser aceite pelo outro. O discurso é sempre o mesmo: “Só um não faz mal, eu consigo deixar quando me apetecer”. Mas depois olharmos para nós e apercebermo-nos de que estamos viciados. Nessa altura o discurso muda para “Eu tenho de deixar de fumar…”. Mas será que realmente o queremos?

Afinal de contas, o ser humano passa a sua vida em busca de prazer como forma de atingir a felicidade. Que forma mais fácil e rápida, e até há pouco tempo, barata, de o atingir do que um cigarro a meio do dia? Basta dirigirmo-nos ao café mais próximo e comprar um maço, abri-lo, pôr um cigarro na boca e acendê-lo. Mas porque é que isto se torna um ritual?

Muitas vezes um cigarro torna-se uma companhia, uma segurança, um mal que está ao nosso lado, mas não nos falha (só quando se acabam os trocos). Naquele momento antes de acender um cigarro, em que o isqueiro nos insiste em falhar, há uma ansiedade tão grande como aquela antes de um primeiro beijo dado a medo. A calma, a segurança, a alegria temporária sentida após dar o primeiro bafo, por vezes são muito semelhantes à felicidade sentida após esse beijo. Daí que seja um vício tão difícil, para alguns até mesmo impossível, de deixar.

Para acabar, deixo-vos com um poema que escrevi há cerca de um ano, durante uma das minhas tentativas frustradas de deixar de fumar.

Pego em ti uma última vez
Como se da primeira se tratasse.
Saboreio-te lentamente
Deixando que o tempo te leve.

Não sei porquê, mas voltei para ti,
Só mais desta vez…
Sentir junto a meus lábios
Esse prazer que alguém fez.

E na derradeira experiência
Ouso olhar à volta
E apreciar a verdadeira essência
De algo que não volta.

E ao querer largar-te, hesito.
Tenho medo de te deixar para trás,
Que nesse segundo
Passes de verdade a mito.

Toco-te mais uma vez
Para ter a certeza que não te esqueço,
Na esperança de que vejas
Aquilo que te ofereço.

Acabo por te largar,
Por te atirar janela fora.
Enquanto te vejo a voar
Não quero acreditar que foste embora.

Se fosse tão fácil ter-te de volta
Como estes vícios pouco saudáveis
Matava de vez a saudade
Tornando-nos inseparáveis.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Lost in the wild

Noite de insónia. Já são 5 horas e 4 minutos da manhã. Dentro de 3 horas quero estar de pé. No entanto, não sei bem porquê, apeteceu-me escrever.

Enquanto escrevia frases aleatórias de um texto, na altura, completamente sem sentido, pensei para mim “Vou partilhar um pouco deste mundo com alguém, desfrutar desta viagem na companhia de quem quiser acompanhá-la”.

Assim, inspirado na (infelizmente trágica) história de Cristopher McCandless, também conhecido como Alexander Supertramp, parto numa “viagem” espiritual, numa busca de sentido, em direcção incerta, procurando alcançar a derradeira liberdade. Parto para me perder na “natureza selvagem”.